Segundo o levantamento da ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, o setor de fabricantes de equipamentos para a saúde vem se saindo bem, apesar de algumas dificuldades competitivas.
Os resultados mostram que a produção setorial atingiu R$ 4,8 bilhões em 2012. Esse valor divide-se em R$ 2,23 bilhões para os equipamentos médicos, R$ 97 milhões para implantes, R$ 83 milhões para materiais de consumo e R$ 76 milhões para materiais odontológicos. A curva é ascendente, principalmente na área de equipamentos médicos, que em 2007 era de R$ 1,07 bilhão.
Descontada a variação dos preços, o crescimento real da produção entre 2005 e 2012 foi de 3,9% ao ano, em média. O crescimento estimado para o setor foi de 10,6% em 2012.
PIB setorial - Em 2012, a geração de valor no setor (PIB setorial) atingiu R$ 2,4 bilhões, alcançando um crescimento real em torno de 7%, entre 2007 e 2009, descontada a variação dos preços. O número médio do país é 3,5%, ou seja, é um setor que cresce o dobro do PIB nacional.
Para Robson Gonçalves, da FGV, os números consolidados são muito satisfatórios e mostram um setor de muita valia para a indústria brasileira. As maiores contribuições vêm dos dois grandes segmentos, que são a área de instrumentos para uso médico e odontológico e artigos óticos, que alcançaram R$ 2,1 bilhões e aparelhos eletromédicos, eletroterapêuticos e de irradiação, com R$ 300 milhões.
O estudo da FGV também detalhou outro dado importante: o da produtividade no setor, ou seja, o valor agregado por trabalhador, entre os anos de 2007 e 2012. Os ganhos de produtividade têm sido essenciais para sustentar o crescimento do setor e fazer frente à ameaça das importações. Descontada a variação dos preços, a produtividade setorial cresceu 5% ao ano em média no período, enquanto que o mesmo indicador para a indústria de transformação caiu 4% na mesma base de comparação.
O investimento total do setor em 2012 atingiu R$ 307 milhões de reais, o equivalente a 13% do PIB setorial. Em 2007, esse indicador era 9,9%. Gonçalves explica que esse é o chamado taxa de investimento setorial, ou seja, quanto o setor investe em relação ao valor que gera. “Esse dado mostra que o setor vem acelerando o investimento”, explica o representante da FGV. “Isso mostra uma crença do industrial no seu próprio setor”.
O emprego na indústria brasileira não registrou variação em janeiro de 2013 em relação ao mês anterior, que havia mostrado queda de 0,3%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em março. Já em relação a janeiro de 2012, o emprego industrial caiu 1,1%. Esse é o 16º resultado negativo seguido nesse tipo de comparação que a indústria brasileira vem sofrendo. Nos últimos 12 meses, o indicador mostrou recuo de 1,4%.
Apesar de não ser um setor de altos níveis de empregabilidade, até mesmo pela necessidade de qualificação altamente especializada, a empregabilidade no setor de equipamentos vem crescendo em média, 4% ao ano entre 2007 e 2012, atingindo a marca de 54 mil pessoas, enquanto a indústria de transformação empregou aproximadamente 7,7 milhões.
Necessidade de isonomia - Mesmo com alguns dados animadores, o estudo setorial encomendado pela ABIMO deixa evidente que hoje a falta de isonomia tributária configura-se como um dos mais graves problemas enfrentados pelo setor produtor de equipamentos médicos, hospitalares, laboratoriais e odontológicos.
O déficit comercial do setor de equipamentos para a saúde tem crescido continuamente nos anos recentes. Entre 2007 e 2012, passou de US$ 1,7 bilhão para US$ 3,7 bilhões, com crescimento médio anual superior a 16,5%. O dado mais preocupante refere-se à queda de 5,5% nas exportações no ano passado: no mesmo período, as importações cresceram 4,7%, ampliando o déficit comercial, chegando a US$ 4,5 bilhões em 2012.
“Sendo um setor voltado para o mercado interno, conclui-se que existe um crescimento da demanda e que a importação está roubando essa fatia do mercado”, explica Robson Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo estudo.
FONTE: Newslab